19 novembro 2006

COMO EVOLUÍRAM OS "MOVIMENTOS SOCIAIS"



As lutas sociais pela inclusão características das décadas de 20 e 30, assim como o processo de sindicalização dos anos 50 e 60, há muito deixaram de representar o lócus mais visível do processo de exclusão social no Brasil.

Até então os movimentos sociais eram oriundos de uma agregação de indivíduos que buscavam sua inclusão, seja política, seja econômica, utilizando-se coletivamente do “poder das massas” para reivindicar. Eram movimentos “quantitativos” onde o poder de barganha era tanto maior quanto o número absoluto de participantes.

Evoluem também, de forma pontual, para movimentos “qualitativos”, onde o foco passa a ser o setor produtivo e não o número de participantes; nesse mister o setor energético sempre foi de vital importância para a economia e a sociedade, sofrendo fortes influências dos “ativistas profissionais”, aqueles cuja função, alheia à causa, é a de influenciar e controlar determinado grupo social, reféns do capital e corrompidos por este, negaceiam a sorrelfa perante seus pares, nos palanques e de megafone em punho, daquilo que efetivamente trataram nos gabinetes refrigerados.


A partir da década de 80 ingressamos na era da “fossilização da estrutura social”, com a perda crescente do movimento ascensional da mobilidade social. Entramos no modelo econômico de aguda dependência global, com pagamento de altos juros pela dívida externa, internacionalização de nossas empresas e uma busca sôfrega por investimentos externos, pois deixou de existir a poupança interna e a capacidade de investimento por parte do setor público.


A fossilização da estrutura social é evidente quando se verifica, após algumas décadas, que “o rico fica sempre mais rico, e o pobre cada vez mais pobre”, independentemente do que se faça, ou que se poupe, jamais se modificam as posições na pirâmide, mesmo num governo que se auto-proclama como "dos pobres".


Este processo avançou muito na chamada “Nova República”, adentramos na esteira acelerada da inovação tecnológica e da competitividade empresarial, gerando o desemprego estrutural e tecnológico.

Aderimos à hegemonia neoliberal – sem jamais termos sido sequer liberais – encolhendo o Estado através das privatizações de empresas públicas, reduzindo os investimentos nas políticas sociais de longo prazo e incentivando a cultura do pobrismo, da dependência social e do "nivelamento por baixo" dos parâmetros sociais.


Paradoxalmente foi inaugurada a “era da estagnação econômica”, sem investimentos em infra estrutura que já duram uma década, o país fica "ancorado" ao atraso e patina no subdesenvolvimento; abandonam-se as históricas taxas de crescimento de 7,5% ao ano para habitarmos os medíocres 2% e "competirmos" com o Haiti.

Tal como o Coelho de Alice, o país corre apressadamente para não sair do lugar; ou ainda, moderniza-se para se tornar mais injusto.

9 Comments:

Anonymous Giulia said...

Alexandre, tenho visto seu nome em outros blogs, mas estou entrando no seu pela primeira vez. Excelente análise!

1:55 AM  
Blogger Alexandre, The Great said...

Obrigado, Giulia.
Seja sempre bem vinda!

1:55 PM  
Blogger Suzy Tude said...

Alexandre, quanto ao " encolhendo o Estado através das privatizações de empresas públicas", não acho que seja responsável pelo nivelamento por baixo de parâmetros socias.
Políticas públicas no ambito social foram as desvirtuadas por Lula, que transformou a "bolsa-escola" em "bolsa-voto-de-cabresto-do-século-XXI" com objetivos eleitoreiros.
A privatização em si foi e pode ser muito saudável, na medida em que diminui o peso do Estado e impede a corrupção com dinheiro público.É só dar uma olhada nos lucros da Vale hoje, no nº de empregos gerados, é só ver como foi muito mais saudável para o país a privatização da telefonia, onde o nº de celulares se distribui como DEVERIA ser distribuída a renda no Brasil: com muito mais justiça.
Mas a estagnação do (des) governo do lula é fruto de falta de competência, ladroagem, e traição aos interesses do país porque não teve nunca um plano de governo, mas sim um plano de se estabelecer no poder. E isso fez com que a infra-estrutura necessária para o crescimento (estradas, energia, etc) não fosse contemplada. Para essa turma de "aloprados" não existe médio ou longo prazos, e o curto prazo é utilizado com seus interesses pessoais.
Crescer é fruto de trabalho sério, o que o apedeuta nunca fez e nem acredito que fará.
Um abraço

4:37 PM  
Blogger Emanuelle said...

Beijos sempre. O texto está muito bem escrito.

5:59 PM  
Blogger Alexandre, The Great said...

Suzy.
O encolhimento do Estado é citado no texto como uma constatação, assim como a redução dos investimentos nas políticas sociais de longo prazo e no incentivo ao pobrismo, a dependência social e ao "nivelamento por baixo" dos parâmetros sociais. Em momento algum estabeleço um liame entre o "Estado-mínimo" e a redução dos parâmetros sociais; aliás, ao contrário, no parágrafo seguinte tento mostrar o paradoxo entre uma tentativa de liberalismo econômico - a redução do Estado - e a estagnação econômica com ausência de políticas de investimento em infra estrutura.

Talvez a síntese a qual me obriguei a fazer tenha permitido esta interpretação - o que de plano espero ter esclarecido - mas que, ao contrário, é mero exercício empírico.

Obrigado pela preciosa crítica.
Um beijo,

6:49 PM  
Blogger Alexandre, The Great said...

Emanuelle.
Seu elogio me envaidece, mas seu enigmático olhar me enlouquece...

Besos,

6:52 PM  
Blogger Nemerson Lavoura said...

Apesar de tudo, o Estado ainda é grande demais (e pessimamente gerenciado) no Brasil.
Um abração.

1:45 AM  
Blogger LCMarques said...

"Na bifurcação da estrada...
Se você não sabe para onde quer ir, qualquer caminho lhe levará a nenhum lugar"
Belo texto.
Amplexos

4:24 PM  
Blogger Santa said...

Alexandre, voltei as boas digitadas...(rsss) Terminado o longo tratamento na mão. Graças!!!


Excelente o texto. Garantido, vindo de vc. Traduz a bem a sensação que sentimos com o rumo político do País. O Pais inerte como a moça da janela, esperando a banda podre passar..

4:42 PM  

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