25 novembro 2006

O DIREITO CONSUETUDINÁRIO



Diante de mais um período de obscurantismo na História do Brasil, temos que amargar a indignação, mas não a surpresa, com os fatos que levaram o país ao atraso e ao subdesenvolvimento.


Em um país onde o jeitinho brasileiro é sufragado como orgulho nacional, o que poderíamos esperar?

O que é o sanguessuga, para quem paga pra furar a fila no INSS?

O que é o dossiê, para quem faz gato da tv a cabo do vizinho, da energia do poste, “fura” o cano de água ou desvia o acesso antes do hidrômetro?

O que é mensalão, para quem paga propina pro policial pra não levar multa?

Qual o problema do presidente legalizar o aborto, se tem tanto brasileiro assassino solto por aí?

Qual o problema do presidente vender a Amazônia, se muitas mulheres e crianças vendem o próprio corpo pra se sustentar?

Qual o problema de explorar os filhos, no trabalho escravo, se mesmo assim as famílias ganham Bolsa-Família?

Qual o problema de não haver saneamento básico para todos estes mesmos que jogam lixo na rua e nos córregos?

Qual o problema de superfaturar obras, se aqueles que o elegeram sonham em chegar o dia de fazerem o mesmo?

Qual o problema de haver tantas crianças fora da escola se para ser presidente basta ter a 4a série?

Qual o problema de os governantes tentarem tirar vantagem em tudo se estes cidadãos sempre tentam o mesmo?

E é por essas coisas e outras mais, que não causa espécie alguma existir este tipo de brasileiro, tão tolerante com seus atuais governantes.


Tão somente o costume virou lei. É a consagração do Direito Consuetudinário !

O que parece surpreendente são aqueles que disseram não a esse tipo de Brasil e de brasileiro.
Aqueles que, mesmo não tendo certeza que o outro presidente seria o melhor do Brasil, votaram pela dignidade, votaram pela moral, votaram pela ética, votaram porque não aceitam mais esse tal de “jeitinho brasileiro”.

E esses quase 38 milhões (e seus familiares não votantes) são os que saíram vencedores do pleito!

Porque não se venderam (promessas ocas, para a grande maioria), não se deixaram corromper pelas falácias palanquistas e disseram não a todas as coisas erradas.

Ao contrário, estes disseram sim a moral e dignidade, estes crêem que existe um "outro Brasil", embora cônscios de sua efêmera ideologia.

Por que estes brasileiros existem, é que o Brasil ainda será uma nação!

6 Comments:

Blogger Kafé Roceiro said...

Maravilha de tapa-na-cara, irmão! Como sempre seus textos são nevrálgicos... Ainda bem que existem as duas bandas. Sinto é que o que abunda numa, num abunda na outra... abraço, irmão!

5:06 PM  
Blogger Claudia said...

Você disse tudo Alex. A integridade está nas pequenas coisas do dia a dia e meu voto foi coerente com minha postura, não abro mão disso.
Contudo, não acredito que possamos ter uma nação sem esse 'jeitinho'. Sinto, mas não acredito.
Abraços e bom final de domingo,

6:12 PM  
Blogger Suzy Tude said...

Alexandre, quero parabenizá-lo pelo artigo.
Excelente!
Só fico pensando que nós, que votamos contra esse "jeitinho" cretino, estamos ficando cada vez mais sem voz, traídos por uma "oposição" própria de uma "COLIZÃO" e não coalizão.
Mas como fazer esta conciliação com a falta de dignidade deste desgoverno?
Que mediocridade a dessses politiqueiros que se deixam seduzir pelo poder...É já estou viajando para além do seu post. Mas é pura indignação mesmo.
Um grande abraço

9:57 PM  
Blogger LCMarques said...

Semana passada passei por uma situação interessante.
No interior da escola dos meus filhos eu saía dirigindo em velocidade reduzida, com várias crianças andando ao lado do carro, quando fui surpreendido por uma buzina do carro de um pai que vinha atrás. Pelo retrovisor vi que ele falava ao telefone celular e resolvi parar.
Saí do carro e ele, ainda ao telefone, falou em alto e bom som que eu deveria ser funcinário público porque estava atrapalhando ele, que tinha pressa porque estava atrasado e que lugar de criança é na calçada e não na pista.
Calado estava, calado fiquei.
Voltei para o carro e fiquei pensando no que fazer para que o respeito pela vida, que a compreensão de que é na infância que consolidamos nossos valores sejam resgatados como elementos fundamentais para a convivência social.
Sem falar que professores hoje são chamados de tios(as), condição básica de intimidade e sem a formalidade da minha época onde aprendiamos que deveriam ser tratadas como Senhoras. Devo estar velho (e estou), mas o respeito era fundamental.

Imagina, com comportamentos como os que vc relatou como será a sociedade daqui a alguns anos.

11:05 PM  
Blogger Blogildo said...

Como diria o Reinaldo, é Lula de novo com a CULPA do povo.

Eu sempre digo para alguns colegas que é incoerente criticar políticos e ao mesmo tempo fraudar carteirinhas de estudante para pagar meia entrada no cinema.

Gostaria de ter escrito esse texto!

9:47 AM  
Blogger CAntonio said...

Mais que um tapa, um "delles-culpa" sem desculpa.

Mas elle não terminará o mandato.


SDS

5:08 PM  

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