24 novembro 2007

AS DITADURAS NO BRASIL – 2ª PARTE



Em 1964 um novo golpe de estado, liderado por militares, toma o poder do Presidente João Goulart, que é deposto, e implanta-se uma ditadura com a nomeação de uma Junta Militar para governar o país; todos os direitos políticos são restringidos e os partidos comunistas são extintos, o Congresso é fechado e os direitos e garantias individuais são sumariamente abolidos. Este período conhecido mais tarde como os “anos de chumbo”, caracterizou-se por perseguições políticas e forte controle social impostos pela Polícia e pelo Exército. Curiosamente, a exemplo da ditadura Vargas, foi o período em que a sociedade brasileira obteve as maiores conquistas sociais da história republicana, como nos relataria Wanderley Guilherme dos Santos (Cidadania e Justiça, 1979):

“Marcante na evolução brasileira, todavia, é o fato de que os períodos em que se podem observar efetivos progressos na legislação social coincidem com a existência de governos autoritários. Os dois períodos notáveis da política social brasileira identificam-se, sem dúvida, ao governo revolucionário de Vargas e à década pós-1966.”




A década de 80 traria de volta a democracia e a chamada “Nova República”, desde então e até os dias atuais não se teve no país um regime ditatorial; contudo vale dizer que tal conclusão refere-se apenas ao campo político. Se considerarmos a esfera econômica poderíamos dizer que os dois períodos de governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso, pela recessão e forte retração da economia imposta a título de “controle da inflação” através do Plano Real, podem se caracterizar uma “real ditadura econômica” tendo em vista as sucessivas perdas salariais dos trabalhadores, os sete anos sem aumento dos funcionários públicos, o arrocho sobre os professores, enfim a classe trabalhadora de um modo geral sofre esta verdadeira “ditadura econômica”.


Nada porém poder-se-ia comparar com aquilo que estava porvir.


Lula assume em janeiro de 2003 e mantém a ditadura econômica de FHC, através do Ministro Palocci, entretanto aparelha o Estado com milhares de nomeações e institui a “contribuição obrigatória” (o valerioduto) de empresas (estatais e privadas) para a “causa” – o projeto de perpetuação no poder; contingencia o orçamento, aplicando ínfimas parcelas das verbas destinadas a proteção social – educação, saúde, segurança e infra-estrutura, concede 0,01% de reajuste ao funcionalismo, taxa os aposentados em 11% ignorando cláusulas pétreas da Constituição Cidadã, compra o parlamento despudoradamente e manieta o judiciário com nomeações.

Tantas pessoas a “sangrarem” os cofres públicos resultou num total descontrole do projeto, cujo eixo era mantido a “mãos de ferro” por José Dirceu, a partir das denúncias de Roberto Jefferson (este sim, um “esfaqueado nas costas”).

A evisceração da crise, devido a sua abrangência e alcance, transpareceu como uma cutucada num ninho de vespas, com ataques raivosos por todos os lados e a compreensível irritação daqueles que tiveram seus esquemas desnudados perante a nação.


Lula, o “nosso” Macunaíma Gump, tal e qual um autista, preferiu o contra-ataque do discurso reacionário contra as “elites”, para a seguir se voltar para as camadas menos informadas da população e reatar a “campanha eleitoral”, da qual tirara “pequenas férias”, sem jamais abandoná-la.


A atual ditadura é mais perigosa que as anteriores, pois além de todos os ingredientes políticos destas, embute o revanchismo e a desconstrução de instituições basilares do regime democrático – o Parlamento e o Judiciário.
É perigosa porque destrói os alicerces da democracia, privilegia os banqueiros e o grande capital, enquanto paralelamente “arrocha” a classe média criando um “nivelamento por baixo”, ao mesmo passo em que amplia a “esmola oficial”, gerando uma população dependente e submissa socialmente ao “soberano”.
Segundo Tocqueville - “uma ditadura da maioria”.
É o autêntico despotismo.

1 Comments:

Blogger Blogildo said...

Penso igual a Churchill: A democracia é a pior forma de governo depois de todas as outras. O problema é que ela invariavalmente acaba resvalando na tal ditadura da maioria. Eu, por exemplo, nunca votei em nenhum dos presidentes que comandaram a nação. Não há democracia para minha pessoa. E nunca haverá!

5:58 PM  

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