14 julho 2006

AS MAZELAS DO SOCIALISMO

É curioso como no Brasil se formou um campo fértil para as boçalidades e para o atraso político-ideológico por conta das intervenções de intelectuais de visão estreita e enviesada que fermentaram, no rancor e na vingança do exílio, doutrinas canhestras copiadas de medíocres carbonários agarrados em utopias velhas de um século; uns ignorantes que disfarçam a própria estupidez em ideologia.


No Brasil, segundo estes intelectualóides , ser “de esquerda” é chic, dá status, enquanto ser “de direita”, capitalista, é tosco, truculento e “feio”.Vivem uma realidade que já não existe mais, são os “saudosistas da canoa furada”, que “amam” a URSS, a China, a Coréia do Norte e Cuba; entretanto para lá não vão, preferem viver aqui.


Essa gente acha bonito o discurso populista, a retórica, a manifestação das massas, o “povo na rua”, desde que “eles” (povo) lá nas ruas e “eu” aqui da minha cobertura, com meu robe de seda, pantufas nos pés e um scotch “on the rocks” nas mãos.


Não conseguem esquecer que com a queda do Muro de Berlim e do império soviético, os socialistas órfãos se viram desesperados atrás de alguma ideologia nova. Alguns viraram simplesmente anti-capitalistas patológicos, procurando qualquer sintoma de “doença” no outro lado para poder “justificar” o fracasso geral, e não só do socialismo.


Nessa cruzada emocional vale tudo, desde mentiras escancaradas até manipulações pérfidas.

Outros acabaram adotando um vermelho desbotado, a tal “terceira via”, muitas vezes apenas uma rota diferente para o mesmo destino: Estado totalitário!


Assim, a social-democracia vai pregando, em nome de nobres fins, sempre o aumento do Estado como meio. As mazelas costumam ser terríveis e são inúmeras, mas aqui vamos procurar mostrar as principais.


Em primeiro lugar, o próprio peso do “Estado benfeitor” recai sobre a sociedade, posto que riqueza não cai do azul. Alguém tem que trabalhar, produzir.

Mesmo em nações onde a natureza de fato contribuiu muito, com vastos recursos naturais, o sustento dessa mega burocracia estatal asfixia a iniciativa privada. Os escandinavos seriam um bom exemplo, já que são muitas vezes citados como sucesso irrefutável da social-democracia.


Há um grande mito nisso.


Os escandinavos já foram bem mais ricos, em termos relativos, antes do crescimento estatal. Fora isso, possuem muita riqueza natural, como o caso norueguês, onde o petróleo responde por elevado percentual das exportações. Ainda, possuem razoável liberdade econômica, o que garante algum crescimento. Entretanto, o peso tem sido sentido, e reformas liberalizantes, como privatizações de estatais e queda de barreiras protecionistas, têm sido adotadas. São relativamente ricos a despeito do Estado grande, mas não por causa dele.

Não obstante, vemos que a Suécia, por exemplo, tem renda per capita menor que a dos negros americanos, grupo sócio-econômico mais pobre dos Estados Unidos. As nações escandinavas entrariam atrás do estado americano mais pobre em termos de renda per capita.

Mas alguns vão argumentar que o “Estado protetor” fornece quase tudo grátis, e de boa qualidade. Infelizmente, tal afirmação é falsa também.

Quando a coisa aperta, os indivíduos buscam sempre a iniciativa privada, com melhor qualidade. Pagam dobrado pelo serviço. A insatisfação popular com os serviços públicos é crescente por lá, como seria de esperar. O welfare state de tal magnitude é simplesmente insustentável no longo prazo.

Hoje, estima-se que quase 40% da população da Dinamarca vive de “esmolas” estatais. Um terço seria de aposentados. Como para manter o inchado aparato estatal os impostos são astronômicos, há pouco incentivo para produção, e cada vez mais empresas buscam alternativas fora do país. O peso dos parasitas fica absurdo, impossibilitando que cada vez menos hospedeiros possam sustentá-lo. A população praticamente não cresce, a expectativa de vida aumenta, as regalias estatais permitem aposentadorias precoces e bem remuneradas, e a carga tributária inibe o crescimento econômico.

Trata-se de uma verdadeira bomba-relógio, um acidente pronto para acontecer.

Não é à toa que diversos desses países estão fazendo reformas na previdência. Essa combinação explosiva tem, aos poucos, cobrado seu preço, com baixo crescimento econômico e aumento forte da criminalidade.


Outro reflexo desse modelo social-democrata é o chamado “brain drain”. Intelectos brilhantes, mentes inovadoras, jovens determinados, acabam todos migrando para um país mais livre, com maior incentivo à produção, com menor intervenção estatal e carga tributária. Os sonhadores bem que gostariam que tais indivíduos fossem altruístas, e colocassem o tal “bem geral” acima do individualismo. Mas como os próprios sonhadores na prática, esses indivíduos são individualistas, e querem o melhor para si. Não querem “dar duro” para sustentar burocratas.

A Inglaterra, nos seus anos sombrios de namoro com o socialismo, sentiu isso na pele, com milhares de jovens migrando para as universidades americanas, e ficando por lá depois. Eis um item terrível para estimular a exportação. E isso explica porque os socialistas sempre tentaram fechar as portas de saída de suas nações, culpando, ou perseguindo, os “ingratos egoístas” que porventura não queiram ficar no “paraíso”.


Com isso, vem a última mazela a ser abordada: imigração. Se por um lado o melhor do capital humano foge desse tipo de sistema, buscando ares mais livres, por outro lado temos a atração de gente mais pobre, tentando uma carona na bonança estatal, “almoço grátis” todo mundo quer.

Como o welfare state já é insustentável até mesmo dentro das fronteiras, imagine se as porteiras forem abertas para imigrantes desesperados.
A única conseqüência plausível disso é uma explosão de xenofobia.
E de fato, é o que estamos vendo na Europa.
A França viveu este momento há poucos meses, a Espanha também tem sofrido com este processo. Imigrantes turcos, nigerianos, argelinos e de vários outros países mais pobres, têm tentado “invadir” as nações mais ricas e com amplo serviço de bem-estar social.

Claro que isso desperta a revolta dos nativos, pois afinal, o “altruísmo” deles tem limite.
A tensão cresce, e a xenofobia aumenta muito. Os imigrantes que não conseguem emprego acabam como mendigos ou criminosos e não raro se voltam contra o Estado que os acolheu, provocando desordens e destruição.

O problema adquire proporções alarmantes, e candidatos claramente xenófobos conquistam milhões de votos.

Culpa do welfare state.

Agora, a título de elucubração, vamos imaginar como estariam essas ricas nações social-democratas, caso tivessem que absorver milhões de imigrantes todos os anos, como os Estados Unidos absorvem. Imaginem se a Suécia tivesse milhares de cubanos entrando lá todo ano. Os EUA criaram mais de 1,5 milhão de empregos por ano nos últimos 15 anos, enquanto a Europa não criou nenhum emprego líquido. Imagine como estará a Venezuela dentro de mais alguns anos, com o “Mercado do Povo” aniquilando a concorrência, a habitação coletiva aniquilando o direito de propriedade e o petróleo subsidiando o welfare state.

Será este destino que queremos para o Brasil? Vamos prestar atenção nas falas dos candidatos este ano: desconfiem daqueles que se intitularem “pai dos pobres”, ou “dos sem teto”, ou prometerem “ três refeições diárias”, ou “que vai criar 10 milhões de empregos”, “gente como a gente”, “raiz da terra”.

Isso não é ser chic, nem politicamente correto, tampouco ser popular, senão populista – é ser mentiroso, mesmo.

16 Comments:

Blogger Nat said...

Alexandre,

Ufa! Demorei um tempão para ler/assimilar seu texto. Mas vamos resumi-lo em uma sentença (que pretensão a minha!!!): esquerda, social-democracia, welfare state - variações sobre o mesmo tema errático.

Contudo, acho que, apesar de sermos um povo crédulo, não somos bobos. A máscara de Macunaíma Gump está, aos poucos, se dissolvendo. Aqui pelas bandas de SP, a associação PT e PCC nunca foi tão grande. É um bom começo.

Bjs

10:19 PM  
Blogger Alexandre, The Great said...

Nat. Suas palavras são um alento para quem, como eu, não tem condições de deixar o país. Pois do contrário, a permanência aqui tornar-se-ia um verdadeiro INFERNO.

12:46 AM  
Anonymous Anônimo said...

Por aqui ocorre um perigo ainda maior. A "síndrome da abundância". Depois do caduco "aqui em se plantando tudo dá", há uma proliferação de avanços sobre o que não será mais renovável caso não seja bem cuidado. Isso gera uma outra síndrome, a do desperdício. De talentos, de moral, de vergonha, de honestidade, por um lado. De outro, a venda de abundâncias, como a canalhice, seu produto mais difundido. É este produto que vincula a todos, as falcatruas de um único grupo de ornitorrincos. Sua melhor mutação são os sanguessugas migrando para tênias. Tudo medra no limbo que criaram e querem imputar a outros sua inlvidável obra.

2:27 PM  
Blogger Claudia said...

Na mosca Alexandre, acho que teremos a campanha mais suja, mais sórdida e 'pinoquiana' que este país já teve (olha eu imitando o Molusco...). Acho que daqui pra diante, lerei os jornais com luvas cirúrgicas...
Abraços e belo domingo!

9:11 PM  
Blogger Santa said...

Alexandre querido,

Antes quero dizer que vc está elegantérrimo nesta foto!!! Ah! Notícia boa: o PT de Pernambuco despenca, despenca.... Nem pra cabo eleitoral o Humberto Costa, ex-ministro de Lula, serve.
Bjs, volto pra ler o artigo.

9:57 PM  
Blogger Alexandre, The Great said...

Santa.

Como em Pernambuco, no restante do país, a partir de agora para o PT, é "ladeira abaixo".

Obrigado pelo elogio.

10:13 PM  
Blogger LCMarques said...

Alexandre, acabo de assistir o filme "Alexandre" na HBO, vou dar uma navegada básica e vejo seu comentário no meu blog.
O filme, do Oliver Stone, me deixou um sincronismo de movimentos, guardadas as devidas e necessárias propoprções, com o pseudo-estadista que nos governa.
Não sei se vc assistiu, vale a pena ver com um olhar comparativo.

Em tempo, estou de luto porque morreu mais um santo meu, de cirrose. É que estou com amigos de Belém aqui no Rio e o city tour etílico é danosos para os meus santos protetores.
Ainda mais com o meu querido Botafogo me enganado que tem time...
Amplexos e valeu a lembramça do meu ídolo Saldanha.

12:56 AM  
Blogger Saramar said...

Alexandre, mais um artigo exemplar, rico em análise e informação.

Creio que os "luminares" e "intelectuais" vermelhos têm a mais perfeita visão desse cenário que você descreveu. Porém, a sede de poder desses indivíduos é tal que irão manter sia mistificação socialista pelos séculos afora, enquanto houver um ingênuo a ser alienado ou um corrupto a ser comprado, principalmente na pobre América Latina.

Beijos e uma excelente semana para você.

6:22 PM  
Blogger Saramar said...

Alexandre, voltei.

Esqueci de dizer que indiquei a leitura deste artigo na comunidade do Olavo de Carvalho lá no orkut.

Beijo

6:26 PM  
Blogger Santa said...

Alexandre querido
Desculpa se não estou comentando no blog como gostaria. O fisioterapeuta disse pra maneirar com a mão.


Olhe tudo o que eu não sei daria uma biblioteca.Agradeço os ensinamentos. Bjs

7:41 PM  
Anonymous Anônimo said...

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