16 julho 2006

GUERRA CIVIL OU GUERRILHA URBANA ?

Aos nossos amigos e leitores, abaixo transcreve-se importante artigo que nos leva a profunda reflexão sobre o gravíssimo quadro que estamos enfrentando em nosso país.
Em virtude da profundidade do tema e de suas inúmeras variáveis e fontes paralelas de consulta, este será mantido em evidência por um lapso temporal maior, compatível com sua complexidade e extensão.
(Saramar e Alexandre)

"São Paulo, a nossa maior metrópole e uma das maiores do mundo, voltou a viver o drama do medo imposto a seus moradores. Junto com algumas de suas cidades interioranas e litorâneas. Com ataques a seus policiais, também atingidos em maio pelas balas dos mensageiros dos dirigentes presidiários.

Em tom de quem respeita o sistema federalista, o presidente Lula oferece o apoio da Força Nacional de Segurança Pública, imediatamente recusado pelo governador Cláudio Lembo, em discurso auto-suficiente e majestático.

Enquanto isso, dentro de um cenário que mostra uma estratégia dramática bem articulada, cidadãos trabalhadores são mortos quase todos os dias, às vezes acompanhados por familiares. No presídio, os agentes penitenciários, como única forma de se proteger da rebelião, soldam as grades da imensa jaula onde foram concentrados os presidiários. Estes, por sua vez, são obrigados a permanecer na gaiola improvisada sem comida, sem camas, afastados de qualquer condição de sobrevivência humana.

Lá fora, mais mortes, atentados a delegacias, caixas automáticos, lojas. Ônibus, ambulâncias e caminhões de coleta de lixo são queimados. As autoridades policiais, posando para as câmaras de televisão, parecem mais aturdidas do que a própria população. Seguem-se as entrevistas coletivas, o governador afirmando que São Paulo tem os policiais mais bem treinados do Brasil, o presidente do Brasil perguntando “então, porque a situação não melhora, se a Polícia Nacional (não, senhor Presidente, é Força Nacional!) está resolvendo tudo no Piauí, desculpem, não é Piauí, é Espírito Santo, e no Mato Grosso eles também estão resolvendo tudo?”

Já Geraldo Alckmin faz contraponto ao presidente e afirma que a situação está sendo politizada. A candidata Heloísa Helena propõe uma trégua eleitoral e sugere uma firme ação de todas as forças para acabar de vez com a revolta. E o candidato Cristovam Buarque declara que estamos vivendo uma guerra civil.

Demorou.

Gente, quequé isto? Não fosse a tragédia que se abate sobre os paulistas, o panorama político teria gestos de pastelão de cinema mudo, com os bandidos correndo atrás da polícia e os chefes da polícia se digladiando para decidir quem vai receber antes as medalhas de honra ao mérito pelo trabalho que não realizam.

E, prezado Cristovam Buarque, com todo o respeito à seriedade de suas afirmações, não fale em guerra civil, mas abra os seus olhos e os da população brasileira para algo mais terrível que está acontecendo. Está renascendo o fenômeno da guerrilha urbana, vivido pelo Brasil nos anos 70 e duramente combatido pelo regime militar de então.
Naquela época, os guerrilheiros eram estudantes e pessoas da classe média que se diziam contra o governo militar e, sob o comando de alguns com cursos de especialização recebidos em Cuba ou na Rússia, escolheram o caminho da violência para mudar a situação política. Violência que, sabiam eles, poderia conduzir a uma quimérica vitória, à prisão ou à morte dos protagonistas.

Talvez reconhecer que o fenômeno social que estamos vivendo é de guerrilha urbana seja um pouco desconfortável para os militantes e simpatizantes esquerdistas, posto que essa tecnologia é bastante usada sinistramente (em todas as acepções). E também porque as antigas técnicas de guerrilha foram assumidas, mais recentemente, pelo terrorismo, que quer vender a idéia que povo que não pode comprar avião para matar o inimigo, veste colete de pólvora para se estourar junto com ele. No quadro brasileiro, se os militantes de partidos extremistas não têm coragem para virar homens-bomba, por que não transformar os bandidos e os sem-emprego em militantes incendiários?

Leiam o que conta um militar que viu a história acontecer[1] e faz uma comparação com os acontecimentos atuais.
“A guerrilha urbana foi uma experiência militar vivida por uma pequena parte do Exército na década de 70. Um dos seus episódios mais marcantes foi também um roubo de armas em um hospital de São Paulo, na madrugada de 22 de junho de 1968. Um guerrilheiro fardado de oficial desceu de uma ambulância no portão de entrada do Hospital Militar do Cambuci, em São Paulo, acompanhado de outro suposto oficial e de dois soldados. O soldado de sentinela imaginou que se tratasse da costumeira ronda; por isso, ao lhe ser solicitada a "entrega da arma" para inspeção não hesitou. Ato contínuo, foi amarrado e amordaçado com um esparadrapo.
No portão dos fundos do hospital a cena se repetiu. Assim, iniciou-se o audacioso assalto promovido por um grupo de integrantes da organização Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) que dominou o restante da Guarda que dormia e apossou-se, sem disparar um tiro, de onze fuzis FAL, um poderoso reforço de armamento para as ações de guerrilha urbana que vinham sendo desenvolvidas na capital de São Paulo. A ação desencadeada foi bem planejada e melhor executada; além disso, por ser a primeira, surpreendeu as autoridades militares e levou o general comandante do II Exército a um desabafo impensado, desafiando os terroristas a saírem da clandestinidade e atacarem seu quartel-general. O desafio foi aceito e a resposta veio dias depois com um carro-bomba contra o Quartel-General do Exército no Ibirapuera, com a morte de um soldado.”

“Era o prelúdio da situação que desaguaria no AI-5. Foi enfrentada e vencida com o respaldo de legislação draconiana, mas indispensável, com a descaracterização dos seus combatentes e a utilização de processos não convencionais e de uma organização adaptada às condições especiais de uma luta em que o adversário se utilizava largamente da clandestinidade, do absoluto desprezo a qualquer regra civilizada, da violência e da surpresa. As grandes diferenças hoje serão, assim, as precariedades dos instrumentos institucionais de resposta e o emprego de uma força regular – embora com treinamento especial – em uma área de operações constituída por uma ‘selva’ de casebres e ruelas, densamente povoada por uma população colaboradora – voluntariamente ou dominada pelo medo –, em uma ‘guerra’ que dependerá, fundamentalmente, da informação, da contra-informação e das ações psicológicas, mas que – como tudo indica – será travada à luz dos holofotes e das câmeras da televisão, sob o assédio constante dos profissionais da notícia e dos caçadores do ‘furo’ jornalístico. E, mais que isso, ante o olhar vigilante e crítico dos incansáveis defensores dos ‘direitos humanos dos bandidos’ e de organizações religiosas – como a CNBB, Conselho das Igrejas, Pastoral da Terra etc. – que através da esquerda clerical sempre apoiaram a violência no campo e o uso de processos leninistas de luta nas cidades, como ilusórias formas de tentar resolver problemas sociais que são apontados como responsáveis pela escalada da violência nos grandes centros, ... sempre com os olhos voltados para as urnas da eleição mais próxima.”[2]

Abatido o movimento guerrilheiro, alguns dos sobreviventes foram presos, muitos morreram, assim como morreram militares e cidadãos inocentes que entraram no palco sem querer, outros guerrilheiros foram viver no exílio para ver a banda passar, enquanto os brasileiros quedantes, com paciência e inteligência, foram mudando a situação política, até chegarmos à normalidade (???) democrática. Aí só bastou voltar ao Brasil e receber, algum tempo depois, polpudas pensões por suas bravatas românticas e irresponsáveis.

Mas, assim como a ação política é passível de aperfeiçoamento, também os métodos violentos se beneficiam com novas tecnologias, graças também à velocidade das comunicações e aos gestos de paz e amor de certos dirigentes nacionais em relação a seus companheiros-camaradas de países vizinhos. Foram admitidos até representantes diplomáticos da narcoguerrilha colombiana em nosso país, permitidos o livre trânsito de guerrilheiros estrangeiros e a participação de grupos extremistas e reuniões realizadas para traçar os rumos da revolução socialista na América Latina.

E quem disse que isso tudo é verdade? Juro que não são fantasias saídas de cabeça paranóica (que, no caso, poderia ser a minha), mas tudo foi diretamente escrito por quem sempre sonhou com a tomada do poder pela força, mas que, por razões estratégicas, esperou diligentemente para alçar seus vôos por meio do voto de quem não sabe em quem está votando. Ou seja, a maioria dos brasileiros.
Todo o script e o planejamento da produção foram pacientemente desenhados nas reuniões do Foro São Paulo, a partir de “1990, quando o Partido dos Trabalhadores (PT-Brasil) convocou outros partidos da América Latina e Caribe com o objetivo de debater a nova conjuntura internacional pós-queda do Muro de Berlim e as conseqüências da implantação de políticas neoliberais pela maioria dos governos da região. Nesse sentido, a proposta principal foi discutir uma alternativa popular e democrática ao neoliberalismo que estava entrando na fase de ampla implementação mundial.”
“O primeiro encontro foi na cidade de São Paulo, em julho de 1990, e conseguiu reunir 48 partidos e organizações que representavam diversas experiências e matrizes político-ideológicas de todo o continente latino-americano e Caribe. Foi por isso que, no Encontro seguinte na Cidade do México (1991), consagrou-se o nome ‘Foro de São Paulo’.”

Quem conta a historinha acima é o próprio Foro São Paulo, no que resta de seu site (leia, adiante, o que parece estar acontecendo).
E quais eram os partidos e organizações, além do anfitrião Partido dos Trabalhadores? A relação estava lá no site dos companheiros, mas, de repente, sumiu do mapa. Mas como quem guarda sempre tem, retirei do fundo do meu baú a lista dos que estavam e sempre estiveram nas constantes reuniões do Foro. Vamos lá: participam do Foro São Paulo partidos e organizações de esquerda, reformistas e revolucionárias; partidos comunistas de vários países que se definem como marxistas-leninistas; organizações e grupos trotskistas; partidos comunistas que continuam se definindo como marxistas-leninistas-maoístas (da Argentina, Peru e Uruguai) e que possuem uma articulação internacional própria em 17 países; partidos socialistas filiados ou não à Internacional Socialista; organizações que continuam desenvolvendo processos de luta armada, como as FARC e o ELN, na Colômbia, e organizações que participaram da luta armada e hoje atuam na legalidade, como o Movimento 19 de Abril, também da Colômbia e os Tupamaros, do Uruguai. Como a lista já tem alguns anos, é provável que ela seja, hoje, mais extensa, após as recentes adesões dos companheiros da Venezuela e da Bolívia.

Mas não dá para recuperá-la no próprio site do Foro São Paulo? Não, não dá. Até mais ou menos um ano atrás o site funcionava direitinho e era possível ler todos os seus documentos históricos e atuais. Notícias pra dar e vender. Agenda movimentadíssima. Relatórios de grupos de trabalho. Enfim, vida ativa e entusiasmada.
Poucos meses atrás, fui a seu banco de memórias (http://www.forosaopaulo.org/ ) para recuperar alguns aspectos doutrinários do Foro SP e nada encontrei na página Documentos, alguns bastante extremados, como eu havia lido antes. Intrigado, fui direto à fonte: enviei um e-mail para a secretaria da organização e recebi, dias após, uma resposta simples e aparentemente objetiva: os documentos foram incluídos nos relatórios dos vários encontros e, portanto, teriam perdido a importância da publicação em página própria. Delect lux.

Mas o curioso é que a maior parte dos relatórios foram também apagados. É possível acompanhar a história (a oficial) do Foro SP apenas a partir do VI Encontro de Porto Alegre. As notícias? Talvez tenha faltado dinheiro para pagar a assessoria de imprensa.
As notas e mensagens? Férias da diretoria.
Os trabalhos dos Grupos de Trabalho? Ah, agora aparece uma luz no fim do túnel. Há vários relatórios, inclusive sobre as últimas reuniões (últimas mas não derradeiras) realizadas em março, maio e dezembro de 2005, respectivamente em Montevidéu, São Paulo e Havana.
E o resto é silêncio, como diria Hamlet, descorçoado e atormentado pelos fantasmas.

Fui ao site do papai para ver se encontrava maiores informações (http://www.pt.org.br/site/secretarias_def/secretarias_int_box.asp?cod=484&cat=10&cod_sis=9), mas também me desiludi. Os cortes foram ainda maiores e somente constam notícias a partir de 2002. Por que será que os petistas são contra a memória nacional? E por que este esconde-esconde do FSP?
Falta de financiamento não deve ser, pois o padrinho Chávez, nesse meio tempo, abriu o seu Banco de Crédito Pró-Revolução Bolivariana, cujos princípios são os mesmos do Foro SP. Falta de vontade também não parece ser. A época é propícia para esse tipo de luta revolucionária. Afinal, o ano de 2006 já estava marcado para o desenvolvimento de uma movimentada agenda que não foi apagada no relatório de Havana de dezembro de 2005:

Abril
- Eleição no Peru.
- 20 a 23: Reunião do Grupo de Trabalho na Colômbia.
- 28 a 30: XIII Encontro Nacional do PT.
Maio
- Eleição na Colômbia.
- 8 e 9: encontro de editoras e revistas marxistas, em Cuba, promovido pelo Partido Comunista.
- 10 a 12: Encontro Internacional "Las luchas por el socialismo en el siglo XXI", realizado em Cuba e promovido pelo Partido Comunista.
- Proposta de reunião em Viena, entre partidos europeus e partidos do Foro de São Paulo.
Junho
- Comitê descolonização da ONU, sobre Porto Rico.
Julho
- Eleição no México.
- Aniversário da FSLN.
Agosto
- 18 a 20: Reunião do Grupo de Trabalho do Foro de SP no Uruguai.
- Fórum meso-americano.
Setembro
Outubro
- Eleição no Brasil.
- Eleição no Equador.
Novembro
- Eleição na Nicarágua.
Dezembro
- Eleição na Venezuela
- 8 a 10: XIII Encontro do Foro de São Paulo, na cidade de San Salvador, El Salvador.

Mas não percam tempo. Não há notícias, no site, sobre o que ocorreu em tais eventos. Em todo caso, é bom recordar dois importantes objetivos acordados, para 2006, durante o encontro de Havana:

“1. Respaldar os processos de luta político-social que liberam nossos povos e apoiar solidariamente aos partidos membros do Foro de São Paulo que, a partir de dezembro de 2005 e durante todo o 2006, estarão disputando eleições. Seguramente enfrentaremos desafios cruciais para nossos projetos que buscam a paz, a justiça, a igualdade e a soberania para nossos povos.

2. Avançar na coordenação entre nossos partidos, apoiando as redes de parlamentares, prefeitos e outros sujeitos sociais e políticos”. Não é uma intromissão inaceitável nos assuntos internos dos vários países?
Para quem quiser saber mais sobre o FSP e ter mais pistas para desvendar o intrigante mistério de seu estratégico esmaecimento na Internet nesta época pré-eleitoral, visite uma das páginas da Enciclopédia Wiki http://pt.wikinews.org/wiki/Partido_dos_Trabalhadores_participa_há
_mais_de_10_anos_do_Foro_de_São_Paulo#Membros_participantes , um verdadeiro guia turístico para se chegar às montanhas da escalada do comunismo pós-moderno. Lá você saberá, por exemplo, que o “moderado” Aloízio Mercadante é, ou era (não dá para saber ao certo, pois as informações mais preciosas foram apagadas) o Secretário de Relações Internacionais do PT para o Foro SP.
Dentro do princípio do “quanto pior, melhor”, a crise política iniciada há mais de um ano, sob a visão cega, surda e muda do nosso dirigente maior, até que ajudou os companheiros do Foro SP. Lá fora, Evo Morales ganhou o governo da Bolívia, Chávez avançou com seu trator movido a petrodólares; Tabaré Vasquez continuou, no Uruguai, seu discurso já conhecido; na Argentina, Nestor Kischner mostrou ao mundo que seus olhos desalinhados olhavam também para a esquerda (isso depois de convencer o FMI a ser bonzinho com ele); Ollanta Humala e Andrés Manuel López Obrador, no Peru e no México, tentaram mas não levaram. O Chile seguiu um caminho mais equilibrado, com a eleição de Michelle Bachelet; a Colômbia deu um repeteco em Álvaro Uribe, garantindo o equilíbrio da região andina.

E cá’tamos nós, aguardando a chegada de outubro, quando a primavera brasileira abrir as urnas para os 125.913.479 eleitores registrados.
Mas que salada é esta? Guerra civil com guerrilha, eleições democráticas com estratégias terroristas, planos mirabolantes do Foro SP com as idéias delirantes da República Bolivariana da América Latina, lançadas pela tonitruância de Hugo Chávez, tudo temperado com “Lulinha, Paz e Amor”?

Pois é, meus amigos. A gastronomia tragicômica iniciou há muito. Por isso, antes que cheguem os atos mais duros do puro drama, vamos colocando, à guisa de intermezzos, um pouco do tempero da ironia no meio das palavras. Seria muito bom que houvesse, à mesa, apenas uma grande e saudável salada democrática, onde as discussões políticas se concentrassem no equacionamento dos problemas sociais e nas diferentes formas de resolvê-los. Aceitaríamos, de quando em vez, algumas pitadas de condimentos de mau gosto, tudo em benefício da convivência democrática, que nos obriga a viver dentro do contraditório de idéias. Infelizmente, a enorme salada que estão a nos preparar nada tem a ver com o prazer da mesa, tal a gama de ervas daninhas e ingredientes com prazo de validade vencidos colocados na tigela. O que se prenuncia é uma catastrófica indigestão social, difícil de curar com qualquer sal de fruta. Ou de frutas, como quiserem.

Enganam-se, portanto, os que pensam que nosso destino será resolvido na roda da sorte política, com nossa vontade fazendo os acertos finais e dando rumo certo à piroga nacional. Não podemos nos iludir. Há um plano gigantesco em andamento para transformar o continente sul-americano em uma imensa república socialista. Hugo Chávez não está estendendo seus tentáculos à toa. Tem planos bem definidos. E assim como consegue ter sensibilidade (arghhh!) para armar milhares de crianças e jovens com fuzis de última geração comprados de seus amigos russos, não deve ter a menor indecisão em espalhar sua raiva revolucionária por meio de “voluntários” de todos os tipos, inclusive os que estão nas cadeias. Com o mesmo sentimento de solidariedade que demonstrou quando, recém-eleito para a presidência da Venezuela, escreveu uma amorosa carta a Illich Ramírez Sánchez, o célebre terrorista venezuelano conhecido como "O Chacal" e que se encontrava preso na Europa.

Há algum tempo permeou na mídia brasileira uma notícia sobre a influência das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) junto ao MST, com o repasse de treinamento para os militantes do grupo brasileiro. Em seguida, quando militantes do MST estiveram presos, fizeram sua pregação política junto aos presidiários e repassaram técnicas de rebelião e guerrilha. Nada se fez para comprovar a verdade e prevenir as possíveis conseqüências da camaradagem estabelecida. Mas sabemos que as FARC e o MST já são companheiros formais de jornada pelo menos há mais de quinze anos, quando o PT fundou o Foro São Paulo. E todo mundo sabe que as FARC têm três especialidades: guerrilha, terrorismo e tráfico de entorpecentes.

Ah, estava quase esquecendo: todo mundo sabe também que as FARC já foram protetoras e sócios de Fernandinho Beiramar, que todo mundo sabe quem é.

A pregação política nos presídios também foi revelada, embora não tenha sido muito divulgada e discutida pela mídia. Em maio, soubemos que havia, na mesma ordem de ataques às delegacias, ônibus e outros pontos urbanos, uma explícita orientação para atacar o PSDB e o PFL. Mais recentemente, a Polícia Federal revelou uma carta do PCC com orientação aos presos e seus familiares para que votem no PT e não no PSDB, como nos informa a amiga Ana Maria.

Na semana passada, a agencia Folha divulgou uma notícia que informava que o “PCC (Primeiro Comando da Capital) planejava distribuir a partir desta quinta-feira no Estado (SP) cerca de 120 mil panfletos apócrifos intitulados ‘Gritos dos oprimidos encarcerados’, com críticas ao PSDB, à imprensa e ao Judiciário. A revelação está no depoimento à polícia de Valdeci Francisco Costa, 43, o ‘Notebook’, um dos supostos líderes da facção, preso ontem (05/07) em Campinas (95 km a norte de São Paulo) com sua mulher. Para a polícia, Costa era contador do PCC. Na casa onde eles foram presos, a polícia apreendeu cerca de 40 mil panfletos. Costa não revelou em quais cidades estão os outros 80 mil panfletos. Segundo o delegado seccional de Campinas, Marcos Casseb, Costa disse que os 40 mil panfletos foram entregues a ele por representantes do PCC, para serem distribuídos. Ele não informou o local de impressão dos papéis, mas disse que vieram de fora de Campinas.”

Aí, o presidente Lula aparece na televisão e diz, enfaticamente, que não se deve politizar a crise.
O ministro da Justiça segue a mesma cartilha e expele bordão idêntico. Mas quem está usando a crise para fazer política, ao que tudo indica, são seus estrategistas, os neo-revolucionários do submundo.
Com a mesma desfaçatez com que Chávez e seu ministro da Educação, ao explicarem o adestramento militar em Cuba de milhares de jovens venezuelanos e o os fuzis AK103 Kaleshnikov entregue aos estudantes de seu país, afirmaram: “Estamos politizando a educação. E daí?!”

Conseguimos politizar o sistema carcerário. E daí? Conseguimos transformar os presidiários em soldados da guerrilha pela paz, liberdade e justiça. E daí? Também em ritmo de valsa vienense, o governo Lula conseguiu transformar a promessa de criação de 10 milhões de novos empregos no maior programa de distribuição de esmolas do mundo. E daí?
Conseguimos, com as mesmas tecnologias utilizadas em outras terras do continente e as desenvolvidas aqui pelos pensionistas defendidos pelo escritório do Dr. Luiz Eduardo Greenhalgh (deputado pelo PT-SP e especialista na defesa de presos políticos), dar novo ânimo ao que o governo chama de movimentos sociais, que estão plantando sementes da discórdia entre a sociedade brasileira.
Conseguimos, mesmo após a alegre derrubada do Muro de Berlim, em 1989, levantar nossos próprios muros para proteger as residências dos brasileiros que trabalham e querem a harmonia social e, em contrapartida, dar armas, ferramentas e celulares para que os presidiários derrubem as muralhas das cadeias e possam sair às ruas para mostrar o seu poder revolucionário.
E daí???!!!
Daí que ainda tem gente que não acredita que estamos, Brasil e brasileiros, entrando no seleto Clube do Terror Social, por não sabermos escolher os nossos representantes e administradores públicos. Gente, se o Iraque nem o Líbano estão aqui, imaginem o tenente-coronel Chávez olhando, na sua sala de estratégia bélica, o mapa da América do Sul cheio de miniaturas de tanques, helicópteros e aviões tinindo de novinhos e com cócegas para começar a trabalhar. “Por onde começaremos?”, pergunta-se o comandante. “A Colômbia está muito perto da gente e o Peru e o Equador estão sobre os Andes, onde é difícil combater. Mas vejam que campos maravilhosos tem o Brasil, com alvos ideais para começar qualquer escaramuça. Enormes cidades desprotegidas e cheias de problemas sociais. Uma imensidão de campos agrícolas que o companheiro Lula conseguiu dividir entre três nações – a do agronegócio, a da agricultura familiar e a dos sem-terra. Um governo acreditado junto ao imperador Bush como democrático e bonzinho. Um país que está condenado a se decidir, muito em breve, se quer continuar no mundo liberal ou se retrocede para um regime estatizante e opressor. Que maravilha de palco de guerra!”

Ou vocês pensam que o Gran Gasoduto del Sur projetado por Huguinho, Luizinho e Zezinho e que cortará a selva Amazônica, a partir da Venezuela, em direção à Argentina, não faz parte do projeto megalomaníaco de Chávez para dominar o continente? Que os investimentos que a Venezuela está fazendo no Nordeste, no Paraná e em outras localidades brasileiras não são para ganhar espaço político? Que o dinheiro do povo venezuelano usado para patrocinar escola de samba carioca não foi ardil marqueteiro? Que ele, que tem a coragem de colocar armas pesadas nas mãos de jovens adolescentes não acredita na luta armada?

E daí? O que fazer? Além de fazer o que estou fazendo, ao somar meus protestos a todos os brasileiros que não querem governantes corruptos e incompetentes e nem aceitam o retorno ao passado, com governos autoritários; que não querem a implantação de um partido único para governar o país indefinidamente; que acreditam que os brasileiros apenas precisam de maiores oportunidades para estudar e se profissionalizar; ter acesso a empregos dignos com salários justos; ter proteção de sistemas de saúde e seguridade honestos e eficientes; ter segurança para voltar a caminhar e brincar nas ruas sem o perigo de balas perdidas e seqüestros relâmpagos; utilizar-se de qualquer serviço público e ser tratado com respeito e eficiência; ter a certeza de que seus impostos, pagos dentro de critérios de justiça social, estão sendo bem aplicados – enfim, um país que só depende da honestidade de seus dirigentes e da nossa dedicação para crescer e distribuir bem-estar a todos os seus habitantes em pouco espaço de tempo – carrego, neste momento, uma grande preocupação pelo nosso futuro imediato. Uma grande preocupação com meus filhos e netos e todas as crianças que ainda riem e com as que já nem sorriem, que ainda têm muito Brasil para viver.

Apenas umas palavrinhas finais: não será por meio da abstenção, do voto em branco ou do voto nulo que vamos chegar a um Brasil melhor. Os que se ausentarem da discussão política e escolherem o caminho do “voto de protesto”, estarão decididamente ajudando a eleger o pior.

E daí? Daí, ai de nós! "

Autor: Cleto de Assis

[1] Raymundo Negrão Torres, General de Divisão reformado do Exército Brasileiro, foi instrutor da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.
[2] E quando o texto acima foi escrito? Ontem, hoje? Poderia ter sido. Mas foi publicado em 13 de março de 2006, sob a influência de fatos violentos ocorridos no Rio de Janeiro. Antes, portanto, dos bárbaros acontecimentos de maio e julho em São Paulo. (O texto integral está à disposição em http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=4668 .)

12 Comments:

Blogger Angelo da C.I.A. said...

Caramba Alexandre, este texto é sensacional... Um grito de alerta. pena que o brasileiro típico não lê textos longos, nem mesmo se tiver fotinhas e ilustrações. Mas vou repassá-lo, com toda a certeza

11:41 AM  
Blogger Marshall said...

Apesar de longo, gostei do texto.. tô vivendo esse medo na pele, mas não vou parar minha rotina por causa disso!
abraço

1:03 PM  
Blogger Claudia said...

Alexandre, bom o texto, mesmo que longo. O foro de SP é assunto antigo de Olavo de Carvalho e sempre passou despercebido (?) pela imprensa 'mainstream'. Não foi por acaso, foi? Vamos abrir o olho gente, vem muito mais por aí...

6:11 PM  
Anonymous vera said...

É Alexandre: ainda tem muita gente pensando em anular o voto; e nem sabe que o favorecido é o atual des-governo! :-) Bjs

7:56 PM  
Blogger ex-petista said...

Cara, tou impressionado...Parabéns pelo excelente post.

10:18 PM  
Blogger Passarim said...

Alexandre,
Quero ser mais cidadão. Precisamos fazer algo objetivo e concreto em favor deste País. Temos que criar o MDLN - Movimento Digital de Libertação Nacional para contrapor toda especié de apedeuta prejudicial ao bem-estar sócio/econômico, cultural/educacional e político/ambiental do País. Abs. Jarbas

1:14 PM  
Blogger Ozéas said...

As pessoas começam a perceber que a cova é mais funda, ou como diria minha avó, o buraco é mais embaixo.
Os fatos evidenciam uma articulação poderosa e bem orquestrada, não estão surgindo por acaso seus resultados.
A questão não se encerra num processo eleitoral, até porque a regra do jogo só vale para um dos lados, para o outro, em eventual derrota é hora de virar a mesa.
Parabéns pelo post.
Abç

2:21 PM  
Blogger Serjão said...

Amigo Alexandre:
Eu li o texto todo com a devida atenção. Meio difícil uma avaliação única já que a gama de fatores abordados é enorme. Vou me ater ao que não é chuva no molhado como o foro São Paulo, As indecemtes indenizações aos militantes da esquerda etc.
Com relação á interação PT e PCC, se vc me perguntar se eu acho que ela existe eu vou dizer para vc que sim. mas se vc me perguntar se esta relação á algo mais do que um acordo verbal estabelecido entre sindicalistas irresponsáveis e bandidos do PCC eu vou afirmar que estou quase certo que não; Alguem está prometendo o paraíso na terra em caso da conquista do estado de São Paulo. E o PCC acreditou. Portanto não creio numa relação institucionalizada.
Também é uma grande viagem uma suposta invasão do território brasileiro. Existem particularidades militares que comprovam que isso pode ser no máximo uma intenção de Chavez sem passar disso. Só adianto que entre A Venezuela e Alguma cidade Brasileira existe uma coisa chamada Amazonia que é braba de atravessar, antes de chegarmos aos lindos campos do nosso articulista. Apesar de ser propícia à guerrilha, admito. Além do mais, não sei se vc sabe que a população fronteriça da Venezuela recebe uma série de serviços em território brasileiro. Em resumo, não é tão simples.
Lembro do PT na oposição que inventava as mais absurdas teorias conspiratórias até mesmo para se vitimizar. Não podemos cair no mesmo erro. Apesar de devermos estar atentos e fortes. Sempre. Mas sem viagens.
Com relação ao gasoduto duvido que saia do papel.
Com relação à esquerda na AL, já escrevi sobre isso na cobertura da eleição mexicana.
http://serjaocomentadoceu.blogspot.com/2006/07/de-volta-ao-mxico-meio.html
"Portanto pela programação tinha a manhã de Sexta livre e dei uma volta pela cidade. Apenas confirmei o que já sabia desde a viagem anterior. Pode ser Obrador, pode ser Calderón, podem eleger até um chipanzé para presidência. A chance da esquerda se dar bem ali é zero. A dependência dos EUA é total, com os Americanos absorvendo 80% das exportações mexicanas. A população detém um nacionalismo e um patriotismo exacerbado o que é de certo modo bonito. Mas, na prática, é pura hipocrisia. Estão mais perto de um regime tipo Porto Rico do que podem admitir. Claro que há espaço para o populismo a la Garotinho por haver desigualdade, apesar de muito menor do que no restante da América Latina. Mas fica por aí. Aquele discurso anti-americano que o Chavez tanto arrota ali não cola. Claro que é sempre bom bater na esquerda e a vitória de Felipe Calderón é bem vinda. Mas foi muito mais importante Alan Garcia ter derrotado aquele militar maluco no Peru (uma país pobre, e como a Bolívia, sujeito às esmolas do Chavismo) do que o resultado da eleição mexicana. Em resumo: no México o buraco é mais embaixo. Exatamente embaixo dos EUA"
Vc é um dos caras que eu mais gosto de ler justamente por não ser descartável. Porém nem sempre tenho tempo. Mesmo pq os textos são um tanto longos e o jeito é imprimir para ler.
Um forte abraço.

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Anonymous Anônimo said...

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