09 maio 2006

"O FIM JUSTIFICA OS MEIOS" - UMA VERSÃO CANHESTRA

O maquiavelismo do Partido dos Trabalhadores, submetendo a ética dos homens comuns à estética do seu projeto de poder, é apenas um vetor da síndrome da impunidade, através da qual o governo Lula promoveu a demolição do Estado Democrático de Direito em nosso país, valendo-se da dicotomia política de perpetuação no poder contida nas propostas de Maquiavel – a força e a astúcia.

Assim foi cunhada a trajetória política do PT, desde a instrumentalização partidária do movimento sindical, até a emulação da violência como princípio válido de ascensão social, à margem e ao arrepio das leis e da Constituição – a mesma que os seus representantes nunca assinaram.

Introduz agora uma nova etapa da sua escalada, que é a consolidação do partido hegemonista no poder de Estado: (a) imediatamente, pela corrupção e pelo descrédito das instituições democráticas; mas (b) essencialmente, pela derrocada da força moral da cidadania, onde ainda reside a capacidade de resistência civil.


A corrupção do valerioduto não é, senão, mais do que uma versão “white collar” do crime organizado (PCC, CV, Sacra Corona Unita, Al Capone, etc.), sobre cujo êxito, leniência opositora e impunidade o Partido dos Trabalhadores construiu a sua força política no campo e na cidade.

Se antes, o PT fazia questão de se destacar dos demais, como um partido impoluto - e suas lideranças reivindicavam a “inatacabilidade” da sua biografia política; subversivos – sim, seqüestradores – que sejam, ladrões de banco – idem, assassinos – vá lá, porém “vestais” da ética e moralidade públicas; tudo como aval da sua investidura ao poder de Estado - tratam hoje de se descartarem desta “incômoda promessa”.

A palavra de ordem, agora, é a eliminação das diferenças.
Tudo, aliás, muito “transparente” – tanto nas falas do “presidente-autista”, como na proteção e nos afagos que distribui aos seus seguidores e ao seu partido, mesmo quando surpreendidos na ilicitude, quanto nas falazes tentativas de “explicar o inexplicável”, protagonizadas por seus líderes.


Resumindo, até se poderia parafrasear o mandarim, no latim que desconhece e profere fora de contexto: – ‘Somos todos humanos’... pois, como já dizia Terêncio há dois mil anos: “nihil humanum me alienum est”.

Assim sendo, não conhecem limites e nada do que é humano lhes é estranho, ou os assombra, ou os contém. Dois testemunhos recentes traduzem o sentido dessa constatação trágica, no estágio atual da escalada totalitária no Brasil.

1º:
“A desfaçatez, o uso sistemático da mentira, o empenho em desqualificar qualquer denúncia, nada disso constitui novidade no comportamento do governo Lula. Chegou-se nos últimos dias, entretanto, a níveis inéditos de degradação ética, de violência institucional e de afronta às normas da convivência democrática. (...) Seria o caso de qualificá-la como um crime de Estado, não fosse, talvez, excessiva indulgência chamar de "Estado" o esquema de intimidação oficial que assume o proscênio no momento.” (EDITORIAL DA FOLHA DE SÃO PAULO: 26/03/2006)

2º:
"Odeio Lula porque faz uma glamourização da ignorância, contra o que tenho lutado a vida toda. Num país carente de conhecimento, ele não pode ter esse procedimento. É um imbecil, um idiota, um ignorante.(...) Sabe-se agora que quem tinha razão era a Regina Duarte [quando foi à TV em 2002 dizer que tinha "medo" de Lula]. A Paloma falou besteira, né?” (LIMA DUARTE: declarações à Folha de São Paulo de 26/03/2006, referindo-se ao depoimento de sua neta, Paloma Duarte, que criticou na TV o "medo" declarado pela colega).

São essas vozes e outras tantas – Cristiane Torloni, Jô Soares, Caetano Veloso, Carlos Verezza, Daniela Mercury, Raimundo Fágner (fiquemos por aqui)– e seu impacto político no desmantelamento do governo Lula, que nos levam a reflexão: será que foi estabelecida uma premissa teórica de uma nova segmentação da sociedade brasileira, pela qual se decreta a existência de um fosso intransponível entre a cidadania ética e a sua representação política?

Será que o cidadão comum, o verdadeiramente ético, jamais poderá exercer um cargo político se não estiver disposto a fazer um “pacto com o diabo”?

Ressurge das cinzas segregacionistas do partido impoluto, e da sua contradição pela indiscriminação do partido corrupto, como a Fênix do Mensalão, a síntese do “novo moralismo petista”.

Este, contraditório em si mesmo, pela tentativa de legitimação dos factóides que o antecederam, mas ainda mais virulento nos seus efeitos deletérios, pois dará a forma e o conteúdo a um ressentimento popular contra a política e os políticos muito mais profundo, num estágio mais avançado da escalada totalitária.

Apropria-se indebitamente, para a sua sustentação teórica, do pensamento libertário dos pais da democracia constitucional, como Madison. Mas seu disfarce é pouco convincente, pois não esconde à decifração da análise, o genoma do seu hibridismo grotesco.

Parafraseando P. J. Proudhon, os novos petistas estão prontos a dizer que “a representação política é um roubo”. E logo se aprestam para conciliar essa vertente do pensamento socialista no institucionalismo do seu impiedoso crítico, Karl Marx.

Menoscabam, sob a nossa perplexidade, que “a democracia que temos é a origem e a razão de toda essa corrupção”. Entretanto, como todo híbrido, essa combinação potencializa aspectos na composição das suas cepas de origem que, neste caso, resulta na expressão contemporânea do que há de pior na passagem do socialismo romântico ao realismo comunista: a nulificação das virtudes cívicas como condição essencial da política, ou, a defesa da corrupção sistêmica como “o meio” para a obtenção da perpetuação no poder – “o fim”.

Em tal inescrutabilidade está fundada a “ética” do PT.

9 Comments:

Blogger Angela said...

Alexandre,

Seu post é ótimo como sempre, você nos dá sempre aulas de conduta muito valiosas.

Fazem-se mais que necessárias neste momento onde percebo até entre blogueiros que se dizem ante Lula, mas que não querem Alckmin, porque argumentam que ele é igual a Lula. Como se não entendessem a gravidade da situação, ou por serem as pessoas que elegeram Lula e terem um histórico ligado ao PT, relutem em ver o futuro sinistro que estão escolhendo para seus filhos e netos com essa atitude imatura e infantil.


Votem num poste mas não votem em Lula, pelos seus filhos, porque eu não os tenho.

Um beijo

1:56 AM  
Blogger Kafé Roceiro said...

É, Alexandre!
"O Príncipe" é o livro de cabeceira dessa corja.
Dão migalhas ao povo todos os dias e são sempre lembrados.
Infelizmente pude constatar ouvindo outro dia: "Vou votar no Lula pois ele pagou a dívida externa, vou votar porque ele nos fez ficar auto-suficientes". Putz, meu sangue subiu!
Pena não podermos fazê-los entender o quão sacana ele é. Tentar a gente até tenta, mas o marketing dele é tão voraz que vamos ficando fracos.
abraço,
Kafé.

10:54 AM  
Blogger Alexandre, The Great said...

Kafé.
O tal "pagamento" da dívida externa é outra falácia deste desgoverno de bandidos: na verdade foram trocados os serviços da dívida com juros de 6 a 7% ao ano, pelo contingenciamento do orçamento para aumentar a nossa dívida interna - aquela que ninguém cobra - às custas da taxa SELIC de 16% a.a.; o nosso endividamento interno, por conta da "8ª maravilha" do Palocci, ultrapassou a marca de R$ 1,02 TRILHÕES (é isso aí mesmo)!

Agora, vai tentar explicar isso pro "pessoar". Ninguém vai "intendê nadica di nada".

Abração!

2:06 PM  
Blogger Moita said...

Alexandre

Perfeita a sua análise e preceitos.

É pena que o povão não entede bulhufas.

Abs

9:20 PM  
Anonymous vera said...

Olá Alexandre: Essa máfia de corruptos petistas, é capaz de fazer representações teatrais piores do que a da Suzanne Richtofen. Deveriam se basear nas provas que já têm e nem chamar essa raça maldita para depor. Cadeia e confisco é a solução, espero que cheguemos lá. :-) Bjs

12:57 AM  
Blogger Kafé Roceiro said...

Tem surpresa pra você lá na roça.
abraço.
Kafé.

7:36 AM  
Anonymous Anônimo said...

E AGORA?

Vamos ver como se comportam o PSDB e o PFL nessa história
Augusto de Franco

O jornal O Globo - que publicou há pouco a entrevista-bomba de Sílvio Pereira e está de parabéns por isso a reporter Soraya Aggege - talvez tenha tentado melhorar a história, quem sabe para não confrontar assim tão diretamente o presidente da República. Mas, como notou Ricardo Noblat em seu blog, Silvinho não poupou o presidente. E agora?"

http://www.democracia.org.br/comments.php?id=96_0_4_0_C

1:59 PM  
Anonymous vera said...

Alexandre: acabo de postar a minha descoberta científica e revolucionária, aceito críticas e sugestões. :-) Bjs

5:05 PM  
Anonymous Anônimo said...

This is very interesting site... » » »

6:08 PM  

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